JORNALISTAS EM CRISE COM O PODER
* Pitter Lucena
Não entrando no mérito da revolta e radicalidade de alguns jornalistas do Acre, está na hora de colocar certos pontos nos “is” por conta do clima de insatisfação por falta de liberdade de imprensa que vem se instalando nos últimos anos no Estado. É salutar a discussão democrática em todas as situações, mais ainda, quando se trata de uma entidade sindical que deve zelar, cuidar e defender uma categoria.
É público e notório que a “mão de ferro” do governo da floresta sobre os órgãos de comunicação vem sendo mantida desde o primeiro mandato do atual mandatário da florestania. A imprensa acreana, que deveria exercer seu fiel papel de defensora da sociedade, se transformou numa imoralidade manipulada pelo poder e num grande saco de negócios onde os jornalistas são obrigados a vender mentiras e ilusões governamentais.
Diante do clima de censura implantado nas redações de jornais e emissoras de rádio e televisão nos últimos seis anos, alguns jornalistas amordaçados pelo sistema governamental, querem puxar as discussões sobre o que é liberdade de imprensa e, partir daí, soltar do peito o grito aprisionado da liberdade de pensamento. O medo de demissão, antes sentido pelos jornalistas, está se transformando num muro de ética e resistência contra os manipuladores da informação.
Temos consciência do bom trabalho que o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac), Raimundo Afonso, vem desenvolvendo para unir e qualificar a categoria. Somos sabedores do esforço que Raimundo Afonso continua fazendo para conciliar trabalho, sindicato e família, com o único objetivo de melhorar a qualidade de vida e valorização profissional dos jornalistas que aqui trabalham.
O Raimundo Afonso merece todos os créditos quanto ao soerguimento do Sinjac. Se antes o sindicato funcionava dentro do porta-mala de um carro, isso mudou, e mudou muito nos últimos seis anos. Hoje o sindicato tem respeito e credibilidade em todos cantos do Acre e do Brasil. O prêmio de Jornalismo José Chalub Leite é um exemplo disso.
Mas vamos voltar à crise criada no seio da categoria. É sabido que o Sinjac não tem poder para determinar que os proprietários de meios de comunicação sejam imparciais no trato com a informação (isso não existe). A caixa de negócios está aberta, ou melhor, os meios de comunicação estão abertos para as negociações. Se pagarem bem, serão lindos e maravilhosos. Senão, a vala da miséria e do esquecimento. Assim gira o mundo do poder e da informação.
Quando um grupo de jornalistas resolveu chamar o sindicato para discutir liberdade de imprensa, só faltou a bolsa de valores de Nova York vir a baixo e a terra tremer no Acre. O grupo foi chamado a dar explicações à Comissão de Ética do sindicato. Os rebelados, como foi tachado o grupo, ficou no meio do fogo da inquisição “democrática”.
Faltou ao presidente Raimundo Afonso, discutir a situação politicamente com a categoria para que fatos dessa natureza não acontecessem. Faltou força de vontade para refletir e definir rumos quanto ao atrelamento governamental, fato que vem sendo criticado pela maioria dos profissionais do Acre. Receber apoio para a realização de um certo evento não significa ser submisso ou fechar os olhos para o que está acontecendo nas redações.
É preciso ter consciência de que o sindicato não pode ser atrelado a partidos políticos ou a qualquer tipo de poder. O sindicato tem de ser livre, ter autonomia para decidir o que é melhor para a categoria. É preciso entender também que, atos radicais como o de abandonar o sindicato, não é a coisa mais acertada para o atual momento. É preciso cabeça fria para entender que o diálogo continua sendo a melhor arma para a promoção da democracia e do bem comum.
Portanto, mais do que nunca, o sindicato precisa ser forte e compreensivo para que retorne as discussões sobre o clima de censura que existe nas redações, ouvindo os profissionais para que medidas sejam tomadas conforme a decisão da maioria dos jornalistas acreanos.
* ex-secretário-geral do Sinjac
Não entrando no mérito da revolta e radicalidade de alguns jornalistas do Acre, está na hora de colocar certos pontos nos “is” por conta do clima de insatisfação por falta de liberdade de imprensa que vem se instalando nos últimos anos no Estado. É salutar a discussão democrática em todas as situações, mais ainda, quando se trata de uma entidade sindical que deve zelar, cuidar e defender uma categoria.
É público e notório que a “mão de ferro” do governo da floresta sobre os órgãos de comunicação vem sendo mantida desde o primeiro mandato do atual mandatário da florestania. A imprensa acreana, que deveria exercer seu fiel papel de defensora da sociedade, se transformou numa imoralidade manipulada pelo poder e num grande saco de negócios onde os jornalistas são obrigados a vender mentiras e ilusões governamentais.
Diante do clima de censura implantado nas redações de jornais e emissoras de rádio e televisão nos últimos seis anos, alguns jornalistas amordaçados pelo sistema governamental, querem puxar as discussões sobre o que é liberdade de imprensa e, partir daí, soltar do peito o grito aprisionado da liberdade de pensamento. O medo de demissão, antes sentido pelos jornalistas, está se transformando num muro de ética e resistência contra os manipuladores da informação.
Temos consciência do bom trabalho que o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac), Raimundo Afonso, vem desenvolvendo para unir e qualificar a categoria. Somos sabedores do esforço que Raimundo Afonso continua fazendo para conciliar trabalho, sindicato e família, com o único objetivo de melhorar a qualidade de vida e valorização profissional dos jornalistas que aqui trabalham.
O Raimundo Afonso merece todos os créditos quanto ao soerguimento do Sinjac. Se antes o sindicato funcionava dentro do porta-mala de um carro, isso mudou, e mudou muito nos últimos seis anos. Hoje o sindicato tem respeito e credibilidade em todos cantos do Acre e do Brasil. O prêmio de Jornalismo José Chalub Leite é um exemplo disso.
Mas vamos voltar à crise criada no seio da categoria. É sabido que o Sinjac não tem poder para determinar que os proprietários de meios de comunicação sejam imparciais no trato com a informação (isso não existe). A caixa de negócios está aberta, ou melhor, os meios de comunicação estão abertos para as negociações. Se pagarem bem, serão lindos e maravilhosos. Senão, a vala da miséria e do esquecimento. Assim gira o mundo do poder e da informação.
Quando um grupo de jornalistas resolveu chamar o sindicato para discutir liberdade de imprensa, só faltou a bolsa de valores de Nova York vir a baixo e a terra tremer no Acre. O grupo foi chamado a dar explicações à Comissão de Ética do sindicato. Os rebelados, como foi tachado o grupo, ficou no meio do fogo da inquisição “democrática”.
Faltou ao presidente Raimundo Afonso, discutir a situação politicamente com a categoria para que fatos dessa natureza não acontecessem. Faltou força de vontade para refletir e definir rumos quanto ao atrelamento governamental, fato que vem sendo criticado pela maioria dos profissionais do Acre. Receber apoio para a realização de um certo evento não significa ser submisso ou fechar os olhos para o que está acontecendo nas redações.
É preciso ter consciência de que o sindicato não pode ser atrelado a partidos políticos ou a qualquer tipo de poder. O sindicato tem de ser livre, ter autonomia para decidir o que é melhor para a categoria. É preciso entender também que, atos radicais como o de abandonar o sindicato, não é a coisa mais acertada para o atual momento. É preciso cabeça fria para entender que o diálogo continua sendo a melhor arma para a promoção da democracia e do bem comum.
Portanto, mais do que nunca, o sindicato precisa ser forte e compreensivo para que retorne as discussões sobre o clima de censura que existe nas redações, ouvindo os profissionais para que medidas sejam tomadas conforme a decisão da maioria dos jornalistas acreanos.
* ex-secretário-geral do Sinjac
